Controle
Natural de Pragas

A cultura popular brasileira é rica em dicas para o controle
ou repelência de pragas de plantas, da casa do homem e de seus
produtos. A maior parte das pragas atacam geralmente na primavera,
período de fertilidade e de grande atividade na natureza. Elas
causam vários estragos nas plantas, além de
favorecer o surgimento de doenças, principalmente
fúngicas. As pragas geralmente se tornam um problema
mais sério quando há um desequilíbrio
ecológico no sistema onde a planta está
inserida. Outras situações que podem favorecer
o seu surgimento são desequilíbrios
térmicos, excesso ou escassez de água e
insolação inadequada.
Principais pragas e algumas dicas
naturais de controle
Pulgões
Os pulgões podem ser pretos,
marrons, cinzas e até verdes. Alojam-se nas folhas mais
tenras, brotos e caules, sugando a seiva e deixando as folhas
amareladas e enrugadas. Em grande quantidade podem debilitar
demasiadamente a planta e até transmitir doenças perigosas. Podem
aparecer em qualquer época do ano, mas os períodos mais
propícios são a primavera, o verão e o
início do outono. Precisam ser controlados logo que
notados, pois multiplicam-se com rapidez.
Dica - As
joaninhas são predadoras naturais dos pulgões. Um
chumaço de algodão embebido em uma mistura de água
e álcool em partes iguais ajuda a retirar os pulgões das
folhas e isso pode ser feito semanalmente; aplicações de calda de fumo ou
macerado de urtiga também são indicados.
Cochonilhas
As cochonilhas são insetos
minúsculos, geralmente marrons ou amarelos, que
alojam-se principalmente na parte inferior das folhas e nas
fendas. Além de sugar a seiva da planta, as cochonilhas liberam
uma substância pegajosa que facilita o ataque de fungos, em
especial, o fungo fuliginoso.
Nota-se sua
presença quando as folhas apresentam uma crosta com
consistência de cera. Algumas cochonilhas apresentam uma
espécie de carapaça dura, que impede a ação
de inseticidas em spray. Neste caso, produtos à base de
óleo costumam dar melhores resultados, pois formam uma
capa sobre a carapaça, impedindo a
respiração do inseto. A calda de fumo costuma
dar bons resultados também.
Dica - as joaninhas
também são suas predadoras naturais, além
de certos tipos de vespas; calda de fumo e a emulsão de
óleo são os métodos naturais mais eficientes para
combatê-las; deve-se evitar o controle químico mas,
quando necessário em casos extremos, normalmente são
usados óleo mineral e inseticida organofosforado.
Moscas
Brancas
São insetos pequenos e, como
diz o nome, de coloração branca. Não
é difícil notar sua presença ao
esbarrar numa planta infestada por moscas brancas, é possível ver
uma pequena revoada de minúsculos insetos brancos. Costumam
localizar-se na parte inferior das folhas, onde liberam um
líquido pegajoso que deixa a folhagem viscosa e
favorece o ataque de fungos. Alimentam-se da seiva da planta.
As larvas deste inseto, praticamente imperceptíveis,
também alojam-se na parte inferior das folhas e, em pouco tempo,
causam grande infestação.
Dica - é difícil
eliminá-las, por isso muitas vezes é preciso
aplicar insetidas específicos para plantas. Quando o
ataque é pequeno, o uso de plantas repelentes como tagetes ou
cravo-de-defunto (Tagetes sp), hortelã (Mentha sp),
calêndula (Calendula officinalis), arruda (Ruta
graveolens) costumam dar bons resultados.
Lesmas e caracóis
Normalmente atacam à noite,
furando e devorando folhas, caules e botões florais,
mas também podem atingir as raízes subterrâneas.
Dica - besouros e
passarinhos são seus predadores naturais. Uma boa forma
de eliminá-los é usar armadilhas, feitas com isca
de cerveja para atraí-los. Faça assim: tire a tampa
de uma lata de azeite e enterre-a deixando a abertura no nível
do solo. Coloque dentro um pouco de cerveja misturada com sal. As
lesmas e os caracóis caem na lata atraídas pela
cerveja e morrem desidratados pelo sal.
Lagartas
Costumam
atacar as plantas de jardim mas, em alguns casos, também
podem danificar as plantas de interior. Fáceis de serem
reconhecidas, as lagartas costumam enrolar-se nas folhas jovens
e literalmente comem brotos, hastes e folhas novas, formando
uma espécie de teia para proteger-se.
Todas
as plantas que apresentam
folhas macias estão sujeitas ao seu ataque. As chamadas
"taturanas" são lagartas com pêlos, e algumas
espécies podem queimar a pele de quem as tocar. Caso não
apresente um ataque maciço, o controle das lagartas deve ser
manual, ou seja, devem ser retiradas e destruídas uma a uma,
lembrando que é importante usar uma
proteção para a que a lagarta não toque
na pele. A Calda de Angico ajuda a afastar as lagartas não
prejudicando a planta, além do uso de plantas repelentes,
como a arruda, mantendo-as afastadas.
Dicas - aves e pequenas vespas
são suas inimigas naturais. É preciso lembrar que
sem as lagartas, não há borboletas. Ao
eliminá-las completamente, se está privando da beleza e
da graça desses belos seres alados. Mais uma vez, o
equilíbrio é a chave. Ácaros
O tipo de ácaro mais comum
é conhecido como ácaro-vermelho, tem a
aparência de uma aranha de cor avermelhada. Ataca flores,
folhas e brotos, deixando marcas semelhantes à ferrugem. O
ataque de ácaros diminui o ritmo de crescimento,
favorece a má formação de brotos e, em
caso de grande infestação, pode matar a planta.
Ambientes quentes e secos favorecem o desenvolvimento dessa
praga. Apesar de quase invisíveis a olho nu, sua
presença é denunciada pelo aparecimento de uma
teia fina. Costuma atacar mais as plantas envasadas do que as
que estão em canteiros.
Dicas - uma boa dica é
borrifar a planta com água, regularmente, já que
este inseto não gosta de umidade. Casos mais severos
exigem que as partes bem atacadas sejam retiradas; a Calda de Fumo
ajuda a controlar o ataque. Percevejos
São
mais conhecidos como maria-fedida ou fede-fede, pois exalam um odor
desagradável quando se sentem ameaçados. Seu
ataque costuma provocar a queda de flores, folhas e frutos,
prejudicando novas brotações.
Dica
- vespas são suas predadoras naturais. Devem ser removidos
manualmente, um a um; se o controle manual não surtir efeito, a
Calda de Fumo pode funcionar como um repelente natural. Tatuzinhos
Os tatuzinhos são muito
comuns nos jardins com umidade excessiva, são
também conhecidos como tatus-bolinha, pois se enrolam
como uma bolinha quando são tocados. Vivem escondidos e
alimentam-se de folhas, caules e brotos tenros, além de
transmitir doenças às plantas.
Dica - evitar a umidade
excessiva em vasos e canteiros. Devem ser retirados
manualmente e eliminados um a um. Nematóides
São
parentes das lombrigas e atacam pelo solo. As plantas afetadas
apresentam raízes grossas e cheias de fendas. Num
ataque intenso, provocam a morte do sistema radicular e,
conseqüentemente, da planta. Algumas plantas dão
sinais em sua parte aérea, mostrando sintomas do ataque
de nematóides: as dálias, por exemplo, podem apresentar
áreas mortas, de coloração marrom, nas folhas
mais velhas.
Dica - o melhor repelente
natural é o plantio de tagetes (o popular cravo-de-defunto) na
área infestada. Se o controle ficar difícil, é
indicado eliminar a planta infestada do jardim, para evitar a
proliferação. Formigas
As formigas cortadeiras (Atta spp e Acromyrmex spp) são as que mais causam
estragos. Elas cortam as folhas para levá-las ao
formigueiro, onde servem de nutrição para os fungos,
os verdadeiros alimentos das formigas.
Dica - um bom método natural
para espantar as formigas é espalhar sementes de gergelim em
torno dos canteiros. Além disso, o gergelim colocado
sobre o formigueiro, intoxica o fungo e ajuda a eliminar o ninho
das formigas. Em ataques maciços, recomenda-se o uso de
iscas formicidas, à venda em casas especializadas em
produtos para jardinagem. As formigas carregam a isca fatal
para o formigueiro.
Algumas receitas com
produtos naturais para controle biológico de pragas
Alho
Indicação - o extrato do alho pode ser
utilizado na agricultura como defensivo agrícola, tendo
ampla ação contra pragas e moléstias. Segundo
vários pesquisadores, quando adequadamente preparado tem
ação fungicida, combatendo doenças como
míldio e ferrugens; tem ação bactericida
e controla insetos nocivos como a lagarta da
maçã, pulgão, etc. Sua principal
ação é de repelência sobre as pragas, sendo
inclusive recomendado o plantio intercalado de certas
fruteiras como a macieira, para repelir pragas.
Características e preparo -
no Brasil o uso do alho está restrito ainda a pequenas
áreas, como na agricultura orgânica, enquanto que
em outros países como nos Estados Unidos, pela
possibilidade de empregar o óleo de alho, obtido
através de extração industrial, já
é possivel empregá-lo em larga escala em cultivos
comerciais. Uma fórmula para o preparo de um defensivo
com alho compreende a mistura de 1,0 kg de alho + 5,0 litros de
água + 100 gramas de sabão + 20 colheres (de
café) de óleo mineral. Os dentes de alho devem
ser finamente moídos e deixados repousar por 24 horas,
em 20 colheres de óleo mineral. Em outro vasilhame, dissolve-se
100 gramas de sabão (picado) em 5 litros de água, de
preferência quente. Após a
dissolução do sabão, mistura-se a
solução de alho. Antes de usar, é aconselhavel filtrar e diluir a
mistura com 20 partes de água. As concentrações
são variáveis de acordo com o tipo de pragas que se quer
combater (Stoll, 1989). Quando pulverizado sobre as plantas
depois de 36 horas não deixa cheiro nos
produtos agrícolas.
Chá de Cavalinha (Equisetum arvense ou E. giganteum)
Indicação - é
muito indicada e empregada na horticultura orgânica para
aumentar a resistência das plantas contra insetos nocivos em
geral.
Preparo e aplicação -
ingredientes: 100 gramas de cavalinha seca ou 300 gramas de planta
verde; 10 litros de água para maceração e
90 litros de água para diluição. Preparo:
ferver as folhas de cavalinha em 10 litros de água por
20 minutos. Diluir a calda resultante em 90 litros de
água. Aplicação: regar ou pulverizar as
plantas, alternando com a urtiga. Fonte: Geraldo Deffune, 1992. Confrei
Indicação - combate a
pulgões em hortaliças e frutíferas e
como adubo foliar.
Preparo e aplicação -
ingredientes: 1,0 kg de confrei e água para
diluição.
Preparo: utilizar o liqüidificador para
triturar 1 quilo de folhas de confrei com água ou
então deixar em infusão por 10 dias. Acrescentar
10 litros de água. Aplicação: pulverizar
periodicamente as plantas.
Cravo de Defunto (Tagetes sp)
Indicação
- combate a pulgões, ácaros e algumas lagartas.
Preparo
e aplicação - ingredientes: 1 kg de folhas e/ou talo de
cravo-de-defunto e 10 litros de água. Preparo: misturar 1 quilo
de folhas e/ou talos de cravo-de-defunto em 10 litros de água.
Levar ao fogo e deixar ferver durante meia hora ou então deixar
de molho (picado) por dois dias.
Aplicação: Coar o
caldo obtido e pulverizar as plantas atacadas.
Fumo
(NICOTINA)
Indicação
- a nicotina
contida no fumo é um excelente inseticida, tendo
ação de contato contra pulgões, tripes e
outras pragas. Quando aplicada como cobertura do solo, pode
prevenir o ataque de lesmas, caracóis e lagartas
cortadeiras, porém, pode prejudicar insetos benéficos ao
solo como as minhocas. 0 fumo em pó sobre os vegetais
é um defensivo contra pragas de corpo mole, como lesmas
e outras, sendo menos tóxico se empregado nesta forma.
Na agricultura orgânica seu emprego deve ser precedido de
autorização do orgão certificador.
Características - a calda
pronta pode ser acrescida de sabão e cal hidratada, melhorando
a sua atividade e persistência na folha. Quando a nicotina
é exposta ao sol, diminui sua ação em
poucos dias. A adição de algumas gotas de fenol,
é recomendada para manter suas características
iniciais. A colheita do vegetal tratado deve ser feita, somente 3 dias
após a aplicação do fumo. Não deve ser
empregado o fumo em plantas da família da batata ou
tomate (Solanaceae). 0 tratamento com
concentrações acima do recomendado, pode causar
danos para muitas plantas. A nicotina bem diluída apresenta
baixo risco para o homem e animais de sangue quente e 24 horas depois
de pulverizada, torna-se inativa. No entanto, em elevada
concentração é tóxica para o ser
humano e pode afetar os inimigos naturais. 0 seu preparo e
aplicação requerem cuidados. No caso de
hortaliças e medicinais, aconselha-se respeitar um intervalo
mínimo de 3 dias antes do consumo. Devido ao seu alto
poder inseticida, o seu emprego na agricultura orgânica
é bastante restrito.
Receita 1 -
para controle de pulgões, cochonilhas, grilos, vagalumes.
Ingredientes: 15 a 20 cm de fumo em
corda e água. Preparo: Coloque o fumo em corda deixando
de molho durante 24 horas, com água suficiente para
cobrir o recipiente. Aplicação: Para cada litro de
água, use 5 colheres (de sopa) dessa mistura, usando no
mesmo dia.
Receita 2 -
controle de lagartas e pulgões em plantas
frutíferas e hortaliças.
Ingredientes: 100g de
fumo em corda, 1 litro de álcool e 100g de sabão.
Preparo: misture 100g de fumo em corda cortado em pedacinhos com 1
litro de álcool. Junte 100g de sabão e deixe
curtir por 2 dias. Aplicação: para pulverizar
plantas utilize 1 copo do produto em 15 litros de água.
Receita 3 - controle de
vaquinhas, pulgões, cochonilhas, lagartas.
Ingredientes: 1 pedaço de fumo em corda (10 - 15 cm); 0,5 litros
de álcool; 0,5 litros de água e 100g de sabão em
barra. Preparo: corte o fumo em pequenos pedaços e junte a
água e o álcool. Misture em um recipiente
deixando curtir durante 15 dias. Decorrido esse tempo,
dissolva o sabão em 10 litros de água e junte
com a mistura já curtida de fumo e álcool.
Aplicação: pode ser aplicado com pulverizador ou regador.
No caso de hortaliças, aconselha-se respeitar um
intervalo mínimo de 3 dias antes da colheita.
Receita 4 - controle de
pulgões, vaquinhas, cochonilhas.
Ingredientes: 20
colheres (sobremesa) de querosene, 3 colheres (sopa) de sabão
em pó, 1 litro de calda de fumo e 10 litros de água.
Preparo e Aplicação: para o preparo da
água de fumo coloque 20 gramas de fumo de rolo bem
forte e picado em 1 litro de água, fervendo essa
mistura durante 30 minutos. Após, coá-la em pano
fino, adicione 3-4 litros de água limpa e utilize o produto
obtido no mesmo dia. Em seguida, aqueça 10 litros de água
e junte 20 colheres (sobremesa) de querosene e 3 colheres (sopa)
de sabão em pó. Deixe esfriar em temperatura ambiente e
adicione então 1 litro de calda de fumo.
Receita 5 - controle de
pulgões, lagartas e tripes.
Ingredientes: 1,0 kg de
folhas trituradas de fumo em 15 litros de água por 24 horas.
Preparo: a solução é coada e adicionado um pouco
de sabão. Aplicação: pulverizada conforme a
receita acima ou no solo na forma de pó feito com
folhas secas ou pedaços de folhas colocadas no
chão em cobertura.
NEEM (Nim) (Azadirachta indica)
Indicação: pragas de
hortaliças, traças, lagartas, pulgões,
gafanhotos, etc. Recomendada como inseticida e repelente de
pragas em geral. É uma das plantas de maior potencial
no controle de pragas, atuando sobre 95% dos insetos nocivos. Já
é utilizada comercialmente em vários países do
mundo. Tem como princípio ativo Azadiractina, podendo
ser aproveitado as suas folhas e frutos para extrair esse
ingrediente ativo de largo emprego inseticida. Nas doses
recomendadas é um produto sem efeitos de toxicidade ao
homem e aos animais.
Receitas - Óleo de Nim é
empregado na dosagem de 0,5% (0,5 litro em 100 litros de
água) pulverizado sobre as folhagens e frutos. No caso
do emprego de sementes, o procedimento é o seguinte:
25-50 g de sementes moídas (amarradas em um pano); 1 litro de
água, deixando repousar por 1 dia. Indicação:
lagarta do cartucho, lagarta das hortaliças,
gafanhoto. 5 Kg de sementes secas e moídas; 5 litros de
água e 10 g de sabão. Colocar os 5 quilos de
sementes de Neem moídas em um saco de pano, amarrar e
colocar em 5 litros de água. Depois de 12 horas, espremer
e dissolver 10 gramas de sabão neste extrato. Misture bem e
acrescente água para obter 100 litros de preparado.
Aplique sobre as plantas infestadas, imediatamente após
preparado. O prensado de Neem pode ser utilizado misturando-se
com o solo na base de 1 a 2 t/ha. Esta medida protege as
beringelas contra minadoras e tomates contra nematóides
e septorioses.
Pimenta Malagueta
Indicação - a pimenta
(vermelha ou malagueta) pode ser empregada como um defensivo
natural em pequenas hortas e pomares. Tem boa eficiência quando
concentrada e misturada com outros defensivos naturais, no combate a
pulgões, vaquinhas, grilos e lagartas. Obedecer um
período de carência mínima de 12 dias da
colheita, para evitar obter frutos com forte odores.
Receita 1 - ingredientes: 50 g
de fumo de rolo, picado + 1 punhado de pimenta vermelha + 1
litro de álcool + 250 g de sabão em pó.
Preparo: dentro de 1 litro de álcool, coloque o fumo e a
pimenta, deixando essa mistura curtir durante 7 dias. Para
usar essa solução, dilua o conteúdo em 10
litros de água contendo 250 gramas de sabão em
pó dissolvido ou então, detergente, de modo que
o inseto grude nas folhas e nos frutos. No caso de hortaliças
e medicinais, aconselha-se respeitar um intervalo mínimo de 12
dias antes da colheita.
Receita 2 - ingredientes: 500
g de pimenta vermelha (malagueta) + 4 litros de água +
5 colheres (sopa) de sabão de coco em pó.
Preparo: bater as pimentas em um liqüidificador com 2 litros de
água até a maceração total. Coar o
preparado e misturar com 5 colheres (sopa) de sabão
de coco em pó, acrescentando então os 2 litros
de água restantes. Aplicação: pulverizar sobre as
plantas atacadas.
Primavera/Maravilha (Bougainvillea spectabilis / Mirabilis
jalapa)
Indicação -
método eficiente para imunizar mudas de tomate contra o
vírus do vira cabeça do tomateiro.
Preparo de aplicação -
utilizar a quantidade de 1 litro de folhas maduras e lavadas
de primavera ou maravilha (rosa ou roxa) e 1 litro de
água. Juntar estes ingredientes e bater no liqüidificador.
Coe com pano fino de gaze e dilua em 20 litros de água.
Pulverize imediatamente (em horas frescas). Não pode
ser armazenado. Aplicar em mudas de tomateiros 10 dias
após a germinação (2 pares de folhas) e
repetir a cada 2 a 3 dias até a idade de 45 dias.
Urtiga
Indicação - planta
empregada na agricultura orgânica, prinicipalmente na
horticultura para aumentar a resistência e no combate a
pulgões.
Preparo e aplicação - Ingredientes: 500 g de urtiga fresca ou 100g de urtiga seca
e 10 litros de água. Preparo: Colocar 500 gramas de
urtiga fresca ou 100 gramas de urtiga seca em 10 litros de água
por dois dias ou então deixar curtir por quinze dias.
Aplicação: a primeira forma de preparo para
aplicação imediata sobre as plantas atacadas. A
segunda, deve ser diluída, sendo uma parte da
solução concentrada para 10 partes de água.
Plantas Benéficas
Há na vegetação
natural plantas que servem de abrigo e reprodução
dos insetos que se alimentam das pragas. O manejo correto destas ervas
e da adubação verde permitirá o incremento da
fauna benéfica e o controle biológico natural.
Dentre as plantas que servem para o manejo ecológico,
estão a Ageratum conyzoides (mentrasto), Raphanus
raphanistrum (nabo forrageiro), Euphorbia brasilensis
(erva-de-santa-luzia), Sorghum bicolor (sorgo granífero) e
em segundo lugar: Portulaca oleracea (beldoega), Amaranthus
deflexus (caruru rasteiro, caruru). No caso do sorgo, suas
panículas em flor favorecem o abrigo e a
reprodução de insetos e ácaros
benéficos, como o percevejo Orius insidiosus,
predador de lagartas, ácaros e tripes da cebola. Outras
plantas fornecem o polén como alimento para os ácaros
predadores e néctar para as vespinhas parasitas de pragas. Para
vários pesquisadores, pode ser constituido na propriedade um
programa de manejo ecológico com mentrasto e outras
plantas que vegetam bem verão e início do
outono, complementadas com o plantio no inverno de nabo
forrageiro ou o sorgo. Há no entanto, plantas que
são desfavoráveis à preservação
e aumento de inimigos naturais das pragas, como: mamona, capim fino,
grama seda, capim amargoso, guanxuma, tiririca,
braquiária, picão branco, carrapicho carneiro,
etc.
Plantas Companheiras
A instalação de linhas
de plantas companheiras pode ser benéfico em pequenas
áreas para a repelência de pragas nocivas. Entre
outras, são conhecidos os efeitos repelentes das seguintes
plantas, bastante comuns: Alecrim repele borboleta da couve e
moscas da cenoura. Hortelã repele formigas, ratos e
borboleta da couve. Mastruço repele afídeos e
outros insetos. Tomilho repele borboleta da couve.
Sálvia repele mariposa do repolho. Urtiga repele percevejo do
tomate. O plantio da Trefosia candida, por conter o princípio
ativo da rotenona, vem sendo recomendado para a
formação de barreira vegetal contra pragas,
servindo também como quebra-ventos. Outras plantas como
a erva-cidreira e o girassol são também indicadas
para repelir pragas dos cultivos. O gergelim é outra planta
útil, que é cortado e levado pelas
saúvas, intoxicando o fungo do qual se alimentam.
Produtos
Orgânicos
Cinzas - a cinza de madeira é um
material rico em potássio, muito recomendado na
literatura mundial para controle de pragas e até
algumas doenças. Pode ser aplicado na mistura com outros
produtos naturais.
Receita 1 - Para o combate a
lagartas e vaquinhas dos melões. Preparo e
aplicação: Testar nas condições locais a
seguinte fórmula: 0,5 copo de cinza de madeira, 0,5 copo de cal
virgem e 4 litros de água. A cinza deve ser colocada antes
em água, deixando repousar pelo menos 24 horas, coada, misturada
com a cal virgem hidratada e pulverizada. Para o preparo de maiores
quantidades de calda, pode ser preparado: 1 kg. de cinza de
madeira + 1 kg de cal e 100 litros de água. A
adição de soro de leite (1 a 2%) na mistura de
cinza com água pode favorecer o seu efeito no combate
contra pragas e moléstias.
Receita 2 - Para combater
insetos sugadores e larva minadora. Preparo e aplicação:
testar nas condições locais a receita: 0,5 kg de cinzas
de madeira, deixando descansar 24 horas em 4 litros de
água. Coar e acrescentar seis colherinhas (café)
de querosene. Misturar e aplicar preventivamente.
Farinha
de Trigo
Indicação - a farinha
de trigo de uso doméstico pode ser efetiva no controle
de ácaros, pulgões e lagartas em horta domésticas
e comunitárias. Preparo e Aplicação: o seu emprego
é favorável em dias quentes e secos, com sol. Aplicar de
manhã em cobertura total nas folhas. Mais tarde, as folhas
secando com o sol, forma uma película que envolve as
pragas e caem com o vento. Ela pode ser pulverizada em
vegetais sujeitos ao ataque de lagartas. Preparo: diluir 1
colher de sopa (20 g) em 1,0 litro de água e pulverize
nas folhas atacadas. Repetir depois de 2 semanas.
Leite
Indicação - o leite na
sua forma natural ou como soro de leite é indicado para
controle de ácaros e ovos de diversas lagartas, atrativo para
lesmas e no combate de várias doenças fúngicas e
viróticas. O seu emprego é recomendado para hortas
domésticas e comunitárias. Preparo e
recomendações: um dos métodos
recomendados, é diluir 1 litro de leite em 3 a 10 litros de
água e pulverizar as plantas. Repetir depois de 10 dias para
doenças e 3 semanas quando aplicado contra insetos. A mistura de
leite azedo com água e cinza de madeira, é
citado como efetivo no controle de míldio. Há
indicações do uso do leite como atrativo para
lesmas. Distribuir no chão, ao redor das plantas,
estopa ou saco de amiagem molhado com água e um pouco de leite.
De manhã, virar a estopa ou o saco utilizado e matar as lesmas
que se reuniram embaixo. Pode ser utilizado como fungicida no
pimentão, pepino, tomate, batata. Sem
contra-indicação para hortaliças.
Preparar mistura com: 2,5 litros de leite, 1,5 kg de cinza de madeira,
1,5 kg de esterco fresco de bovino e 1,5 kg de açúcar.
Aplicar no tomate a cada 10 dias, aplicar no café a
cada 15 a 30 dias.
Sabão e suas Misturas
Indicação - o
sabão (não detergente) tem efeito inseticida e quando
acrescentado em outros defensivos naturais pode aumentar a sua
efetividade. 0 sabão sozinho tem bom efeito sobre
muitos insetos de corpo mole como: pulgão, lagartas e
mosca branca. A emulsão de sabão e querosene
é um inseticida de contato, que foi muito empregado no
passado, contra insetos sugadores, sendo indicada para combate aos
pulgões, ácaros e cochonilhas. Características de
emprego: o preparo mais comum consiste em dissolver, mexendo bem, 50
gramas de sabão (picado) para 2 até 5 litros de
água quente. A solução feita com
sabão tem boa adesividade na planta e no inseto praga.
Pulverizar sobre as folhagens e pragas. Nas plantas delicadas
e árvores novas, no verão ou períodos
quentes, utiliza-se a solução de sabão e querosene
bem diluída, ou seja, uma parte para 50 a 60 partes de
água. Depois de preparada a emulsão deve ser
aplicada dentro de um ou dois dias, para evitar a
separação do querosene, o que acarretaria
queimaduras nas folhagens. No inverno, em plantas caducas, utiliza-se
dosagens mais concentradas, assim como a pincelagem do tronco contra
cochonilhas.
Receita 1 - para o controle de
cochonilhas e lagartas. Ingredientes: 50 g de sabão de
coco em pó + 5 litros de água. Preparo: Coloque
50 g de sabão de coco em pó em 5 litros de água
fervente. Aplicação: essa solução deve ser
pulverizada freqüentemente no verão e na primavera.
Receita 2 - para o combate
de pulgões, cochonilhas e lagartas. Ingredientes: 1
colher (sopa) de sabão caseiro + 5 litros de água.
Preparo: utilize uma colher (sopa) de sabão caseiro raspado
e misture em 5 litros de água agitando bem até dissolver
o mesmo. Aplicação: essa calda deve ser aplicada sobre as
plantas com o auxílio de pulverizador ou regador.
Receita 3 - para o combate a
pulgões, ácaros, brocas, moscas da fruta e
formigas. Ingredientes: 1 kg de sabão picado + 3 litros
de querosene + 3 litros de água. Preparo: derreta o sabão
picado numa panela com água. Quando estiver completamente
derretido, desligue o fogo e acrescente o querosene mexendo
bem a mistura. Aplicação: em seguida, para a sua
utilização, dissolva 1 litro dessa
emulsão em 15 litros de água, repetindo a
aplicação com intervalos de 7 dias. No caso de
hortaliças e medicinais, aconselha-se respeitar um
intervalo mínimo de 12 dias antes da colheita.
Receita 4 - como inseticida
de contato para sugadores: ácaros, pulgões e
cochonilhas. Ingredientes
: 500 g de sabão + 8 litros de querosene + 4 litros de
água. Preparo a quente: ferver e dissolver o
sabão picado em 4 litros de água. Retirar do
fogo e dissolver vigorosamente 8 litros de querosene, com a
mistura ainda quente. Mexer vigorosamente a mistura quente,
até formar uma emulsão perfeita. Aplicação:
diluir para cada parte do produto 10 a 60 partes de água.
Fotos: FIEP - Paraná
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