Dioxina
A
dioxina surgiu como arma química usada pelos americanos na II
Guerra Mundial. Sua sigla era LM. A intenção dos
americanos era liberar essa substância nas lavouras
dos japoneses. Entretanto, eles optaram por lançar a
bomba atômica, em Nagasaki, no ano de 1945.
Com
a paz, não havia mais a necessidade de usar a dioxina como
armamento bélico, passando então a ser
direcionada para a indústria química, onde foi
principalmente utilizada na forma de defensivos
agrícolas. Assim, de agente exterminador, a dioxina
transformou-se em tecnologia de modernização
da agricultura. Seu uso diversificou-se: a tecnologia do
cloro combinado com carbono passou ser utilizada em
várias áreas - tratamento da água
potável, cosméticos, alvejantes, papel branqueado com
cloro.
Durante
a guerra dos
Estados Unidos com o Vietnã, a dioxina foi usada como agente
laranja. Como o uso de armas químicas e
biológicas em guerras estava proibido por
convenção, os Estados Unidos se defenderam dizendo que as
pulverizações lançadas por
aviões americanos nas plantações
vietnamitas era apenas herbicida. Na verdade, nem se pode
dizer que eles estavam mentindo, pois a dioxina é
realmente empregada com esse fim na agricultura. Entretanto, a
concentração desse organocloreto estava em um
nível altamente tóxico para os seres vivos,
causando deformações nos fetos (teratogenia)
entre outros casos de intoxicação profunda.
É um nome genérico
dado a toda uma família de subprodutos
indesejáveis da síntese de herbicidas, desinfetantes e
outros. A dioxina mais comum é a tetraclorodibenzodioxina, ou
2,3,7,8-TCDD. As dioxinas mais tóxicas e uma das mais conhecidas
tem átomos de cloro nas posições 2,3,7,8.
Há
pouco tempo, os países europeus entraram em pânico,
especialmente a Bélgica que descobriu em seus
alimentos, principalmente os derivados do leite, traços
de uma perigosíssima substância, a dioxina. A
dioxina é hoje considerada a mais violenta
substância criada pelo homem; seu grau de periculosidade,
segundo alguns autores que escrevem a respeito dela, ultrapassa
até o urânio e o plutônio. Se
moléculas de cloro, estejam onde estiverem, são
submetidas à altas temperaturas, em presença de
matéria orgânica, algum tipo de dioxina
irá ser gerado.
Entre os males causados pela
dioxina no homem podemos citar o extermínio das defesas
orgânicas (comparado à AIDS), o surgimento de
vários tipos de câncer e a teratogenia, isto é,
a propriedade de geração de crianças deformadas
(falta de nariz, lábios leporinos, olhos
cíclopes, ausência de cérebro etc.).
A
dioxina aparece basicamente, na queima de produtos que contém
cloro. O PVC, por exemplo, nosso velho conhecido, é inofensivo
em si; todavia, a sua queima irá gerar dioxina, além
do que, para esse produto, haverá a liberação de
ácido cianídrico, poderoso tóxico.
Muitos
países da Europa (Japão também) julgavam que a
queima de seus lixos era a solução tecnicamente
perfeita para se desfazerem das montanhas de lixo
doméstico existentes e constantemente geradas.
Julgava-se que dioxinas e furanos pudessem ser
destruídos a 800oC e pretendia-se, só na
Alemanha, construir-se 200 mega incineradores para dar conta
de 800 toneladas de lixo por dia, em cada incinerador.
Todavia,
descobriu-se que no resfriamento dos gases de combustão, em
determinada faixa de temperatura, lá estavam, de novo,
dioxinas e furanos. As dioxinas e furanos têm grande
afinidade pelas gorduras ou pelos alimentos que contém
gorduras (lingüiças, queijos, leites, manteigas,
carnes...). Caindo nas pastagens, ela passa às
gorduras dos animais e daí para o alimento que o homem
irá ingerir.
Devido
a fortes pressões das comunidades esclarecidas, as grandes
usinas incineradoras de lixo doméstico existentes no
Primeiro Mundo tendem a ser desativadas.
Um
outro grande gerador de dioxina é a produção do
papel branco. O cloro é largamente utilizado para o
branqueamento da celulose, matéria-prima para a
produção do papel.
A
descoberta de níveis alarmantes de contaminação
de leite por dioxina na Alemanha levou as autoridades daquele
país a suspender as importações de farelo
de polpa cítrica (Citrus Pulp Pellets - CPP) do Brasil.
O CPP brasileiro, largamente usado como parte da
ração do gado europeu, foi apontado pelas
investigações como a causa da
contaminação. Logo em seguida, a Comissão
Européia proibiu os países europeus de
importarem o produto do Brasil até que houvesse
garantias de que não estava mais contaminado e que houvesse um
esclarecimento das causas da contaminação. Novas
investigações revelaram, então, que a cal
utilizada para neutralizar o farelo de polpa cítrica
estava contaminada por dioxinas. A cal era proveniente da
empresa petroquímica Solvay, braço brasileiro
da multinacional de origem belga Solvay & Cie S/A.
Em
março de 1998, foram detectados níveis alarmantes da
substância cancerígena dioxina no leite
produzido no estado alemão de Baden - Wurttemberg
(sudeste da Alemanha). O leite foi retirado do mercado.
Investigações científicas realizadas pelo
Freiburg State Institute for Chemical Analysis of Food indicaram um
aumento assustador dos índices de dioxina nas amostras de leite
e manteiga coletadas desde setembro de 1997. A descoberta levou as
autoridades alemãs a conduzirem um estudo abrangente
para determinar a fonte da contaminação.
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