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Marketing Verde, a oportunidade para atender demandas da atual e futuras gerações
Por Marilena Lino de Almeida Lavorato (*)
O
destino da humanidade é o aprimoramento, e a vida em sociedade
é um grande exercício para o desenvolvimento
contínuo da espécie humana através da cidadania,
do consumo, do trabalho, etc.
A
atividade econômica mundial, baseada na produção de
massa e no consumismo (mercado globalizado) acaba definindo e impondo
estilos e comportamentos que interferem diretamente na qualidade de
vida da população. Esta situação se
expressa através das tendências e preferências de
consumo. No caso dos grandes centros urbanos a questão qualidade de vida (determinada por fatores sócioambientais) é considerada uma demanda urgente.
Dentro
deste cenário é que surgiu o chamado marketing verde,
produtos e serviços direcionados a um segmento específico
que valoriza e consome produtos ecologicamente corretos.
Só
para lembrar: Marketing é uma função fundamental
da empresa voltada para a identificação das necessidades, carências e valores de um mercado-alvo, visando a sua satisfação com rapidez, qualidade e eficiência. As principais ofensivas do mercado são: oferta X procura, descobertas tecnológicas, políticas protecionistas e alianças estratégicas.
Considerando
estas variáveis é que as estratégias são
montadas para vencer a acirrada guerra de mercado que as empresas
travam entre si na luta pela conquista e manutenção de
clientes.
Nicho Verde:
Do
escambo a globalização, a essência da troca (moeda
por um bem ou produto) é a mesma: necessidades baseadas em
valores e cultura definindo critérios de consumo e
produção.
No
caso do marketing verde, trata-se de um nicho (pequeno segmento da
sociedade) crescente do mercado. É considerado nicho porque
é ainda incipiente o que determina baixo volume de
produção e consumo, e é crescente, porque
está dentro da necessidade urgente de melhores indicativos de
qualidade de vida.
A
cultura da qualidade surgiu do mundo corporativo, mais especificamente
na fabricação de bens e serviços, e invadiu nossas
casas para determinar níveis de exigência de consumo.
Uma equação que não fecha:
O
Nicho verde é um segmento específico do mercado que
valoriza produtos e serviços ecologicamente corretos por
conhecer, compreender e não aceitar as conseqüências
das atividades extrativistas e não sustentáveis que
provocam o esgotamento de recursos naturais para as atuais e
próximas gerações.
Nós
seres humanos consumimos recursos naturais vitais renováveis
(Ar, Água, Alimento) e não-renováveis
(petróleo, minerais, etc.). Tudo que consumimos vem da natureza,
e no caso de bens e serviços na sua grande maioria são
oriundos de recursos naturais não renováveis.
Como
o sistema atual de produção e consumo em massa, a
velocidade para o esgotamento é alta, o que significa um
desequilíbrio na lei da oferta e procura.
Não
podemos esquecer que só podemos discutir qualidade de vida
após termos assegurado as condições básicas
para a própria vida no planeta. Tudo que colocar em risco a vida
no planeta, não fará sentido algum para a qualidade de
vida, pois a situação óbvia para demanda de
qualidade de vida é a própria vida.
Vivemos
uma equação que não se fecha: um planeta limitado
fisicamente, uma população crescente (6 bilhões),
um estilo de vida extrativista (recursos não-renováveis)
e poluidor (descartável) determinando um rápido
esgotamento de tudo aquilo que nos proporciona vida (água, ar,
solo, fauna e flora) e qualidade de vida (petróleo, minerais,
energia, espaço, etc.). A possibilidade de
extinção da vida vem nesta sequência: Primeiro
são as plantas, depois os animais e depois o próprio
homem é que sentirá os efeitos negativos da
devastação e da poluição ambiental.
A
humanidade está usando 20% a mais de recursos naturais do que o
planeta é capaz de repor. Com isso, está avançando
sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as
gerações atuais e futuras segundo o Relatório
Planeta Vivo 2002, elaborado pelo WWF e lançado em 2002 em
Genebra. De acordo com o relatório, o planeta tem 11,4
bilhões de hectares de terra e espaço marinho produtivos
- ou 1,9 hectares de área produtiva per capita. Mas a humanidade
está usando o equivalente a 13,7 bilhões de hectares para
produzir os grãos, peixes e crustáceos, carne e
derivados, água e energia que consome. Cada um dos 6
bilhões de habitantes da Terra, portanto, usa uma área de
2,3 hectares. Essa área é a Pegada Ecológica de
cada um. O fator de maior peso na composição da Pegada
Ecológica hoje é a energia, sobretudo nos países
mais desenvolvidos.
No
caso da metrópole Paulistana, o adensamento urbano (16
milhões de pessoas concentradas) consumindo (3,2 trilhões
de litros d’agua/dia) e descartando (mais de 16 mil toneladas de
lixo/dia), poluindo rios, solo e ar de uma área física de
8.051 km2 distribuídos em 39 municípios.
Dá
para imaginar o resultado desta equação a médio e
longo prazo, e assim definir critérios de consumo mais
responsáveis e sustentáveis.
Tendência Verde: Segundo
pesquisa (*) realizada na Europa, os países que mais valorizam
produtos ecologicamente corretos são: Espanha (83%),
Rússia (76%) e Alemanha (73%).
- O
mercado verde ainda é jovem. Portanto apresenta
características diferenciadas em relação aos
mercados maduros:
- Mercado
jovem: Baixa Concorrência, Alto investimento de
penetração (construção da cultura de
consumo), Baixo volume de consumo, Faturamento baixo
- Mercado
Maduro: Alta Concorrência, Investimentos de
manutenção de imagem, Alto volume de consumo, Faturamento
Alto.
Nesta
grande teia social definem-se: crescimentos econômicos,
oportunidades de mercado, produtos melhores, Consumidores mais
responsáveis.
A Fundamentação do MKTVerde:
Lei da Oferta e da Procura: Vivemos num modelo econômico que acelera o esgotamento de recursos naturais vitais e não vitais:
-
Produção extrativista (matéria prima) X Recursos Naturais finitos
- Produção
Massa (alta produção de resíduos) X Recursos
Naturais Contaminados (poluição)
- Consumo Massa (Alta Produção descarte) X Espaços reduzidos (volume de lixo)
Leis Protecionistas: As
leis são determinadas pela sociedade segundo suas necessidades e
valores. No caso do meio ambiente desde 1992 (ECO 92) o mundo
está atento e interessado. Vários outros encontros,
debates e acordos mundiais tem se estabelecidos. Como exemplo temos o
Protocolo de Kyoto que determina índices de
redução na emissão de CO2 na atmosfera. Este
posicionamento global de preservação ambiental se traduz
em incentivo à adoção de novos hábitos de
produção e consumo. A legislação, as
políticas de importação, campanhas e procedimentos
incentivando e impondo a mudança de mentalidade (VALORES).
Inovações Tecnológicas: Por
outro lado, acesso a tecnologias mais limpas e a própria
tecnologia de informação e difusão de
conhecimentos agilizam processos e mudanças de hábitos e
atitudes. Hoje, já se reconhece a receptividade da atual
geração por uma nova ordem de consumo.
Novos Mercados:
O
nicho verde trabalha com tendências atuais e futuras, com novos
hábitos de consumo, novos produtos e novos mercados.
Cada
Geração avança 1 passo em comparação
a anterior. Nos próximos 20 anos teremos decisões mais
precisas, escolhas mais responsáveis.
Hoje
já temos nas prateleiras opções de produtos
ecológicos como o alimento orgânico, produtos reciclados,
carros menos poluidores, equipamentos elétricos com menor
consumo de energia, detergentes biodegradáveis, serviços
de coleta seletiva de lixo, etc.
O
marketing verde é também um up grade da
relação empresa X mercado na medida que aprimora a
relação da empresa X consumidor, empresa X comunidade,
empresa X meio ambiente.
A
partir do momento que temos como pré-requisito a questão:
custo X benefício, fatores tangíveis como qualidade,
preço, conveniência devem estar resolvidos, e o
diferencial ficar por conta do intangível: DESEJO de pertencer a
uma tribo, de consumir sem remorsos, de fazer parte de um processo que
melhora as condições de vida em sociedade (que volta para
o individuo), de responsabilidade social, de proteção ao
meio ambiente, enfim de aprimoramento da qualidade humana na
prática compulsória do consumo.
Consumo Responsável
Fazemos
parte do ecossistema com uma participação muita pequena
(somos uma das espécies) porém, com grande poder de
interferência positiva e/ou negativa. A espécie humana se
auto-proclamou a vida inteligente do Planeta. E já que nosso
destino é o aprimoramento, não podemos e nem queremos
deixar como marca registrada da interferência humana no planeta,
o lixo e a poluição.
E
assim sendo, a partir de uma percepção maior do
consumidor traduzido em atitude crítica no momento da compra, em
muito contribuirá para acelerar investimentos em tecnologias
limpas, produtos e posicionamentos ecologicamente corretos e
responsáveis, permitindo assim, os ajustes necessários
para a conquista e manutenção de melhores índices
de qualidade de vida, baseado na sustentabilidade dos sistemas natural
e econômico. VIVA O CONSUMO RESPONSÁVEL.
(*)Fontes : Ottman, Jacquelyn A. Marketing Verde- Makron Books
(*) Marilena Lino de Almeida Lavorato:
Publicitária (PUCC), Pós graduada em Gestão
Ambiental (IETEC), em Marketing (ESPM), em Globalização e
Cultura (EPGSP-SP), em Gestão Estratégica de
Negócios (FGV). Mais de 20 anos de experiência na
condução de equipes multidisciplinares, parcerias
estratégicas, e novos negócios de grandes empresas. Criou
e desenvolveu diversas ações macroeducativas na
temática ambiental para mercados público e privado.
Diretora Executiva da MAIS PROJETOS Sócio-Ambiental e
Coordenadora do GMGA- Grupo Multidisciplinar de Gestão Ambiental
da APARH (Associação Paulista de Administradores de
Recursos Humanos).
Email: marilena@maisprojetos.com.br
Site:www.maisprojetos.com.br |