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Caesalpinia
echinata Lam.
A Caesalpinia echinata, pertencente à
família Caesalpiniaceae, é conhecida como pau-brasil,
ibirapitanga, orabutã, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, ibirapitã,
muirapiranga, pau-rosado, pau-de-pernambuco. A espécie ocorre
desde o estado do Ceará até o Rio de Janeiro na floresta
pluvial
Atlântica.
Sua
madeira é muito pesada, dura, compacta, muito resistente,
de textura fina, incorruptível, com alburno pouco espesso
e diferenciado da cerne. É empregada atualmente para
confecção de arcos de violino. Outrora foi muito
utilizada na construção civil e naval e
trabalhos de torno.
O
principal valor do pau-brasil é a extração de um
princípio colorante denominado brasileína,
extraído do lenho e muito usado para tingir tecidos e
fabricar tinta para escrever. A sua exploração
intensa gerou muita riqueza ao reino e caracterizou um
período econômico de nossa história, que
estimulou a adoção do nome Brasil ao nosso país.
Planta
ocorre preferencialmente em terrenos secos e inexiste na
cordilheira marítima. É planta típica do
interior da floresta primária densa, sendo rara nas
formações secundárias.
Floresce
a partir do final do mês de setembro, prolongando-se
até meados de outubro. A maturação dos
frutos ocorre nos meses de novembro a janeiro. A árvore
é ótima para o paisagismo.
O
pau-brasil é conhecido pelos brasileiros devido ao fato de
ter originado o nome do nosso país, pelo ciclo
econômico que ele representou ou pela grande ameaça
de extinção que existe sobre ele. Sem
dúvida, o pau-brasil representa um marco histórico
do país, e no entanto, poucos têm conhecimento
sobre seu ciclo econômico, as implicações
históricas envolvidas e suas características
botânicas.
Diante
da exuberância encontrada pelos portugueses, estes
descobriram a existência de uma riqueza para eles
inesgotável: o pau-brasil. Os índios brasileiros
já utilizavam esta árvore para a
confecção de arcos, flexas, e para pintura de
enfeites, com um corante vermelho intenso extraído do
cerne. A técnica foi ensinada aos portugueses pelos
próprios índios, que também foram
encarregados de cortar, aparar e arrastar as árvores
até o litoral, onde carregavam os navios a serem
enviados para a Europa.
O
ciclo econômico teve início em 1503 e até 30
anos após a chegada dos portugueses, era o único
recurso explorado pelos colonizadores. Nesse período
calcula-se que foram exploradas 300 toneladas de madeira por ano,
sempre aumentando nos anos posteriores. Com a
exploração, a terra do pau-brasil tornou-se de
muita importância, e em pouco tempo Pindorama
(denominação tupi que significa Terra das
Palmeiras), oscilou entre os nomes oficiais Ilha de Vera Cruz,
Terra de Santa Cruz, Terra do Brasil e logo em seguida apenas
por Brasil.
Este
processo de exploração conjunta e contínua
consistiu nesse período, possivelmente, na retirada
mais intensa e devastadora que se ouviu falar na história
do Brasil. Essa prática não se limitou ao
pau-brasil, sendo que outras essências foram eliminadas
das reservas florestais localizadas mais no interior da Floresta
Atlântica. O término do ciclo econômico,
no século 19, foi determinado pela quase
inexistência da espécie nas matas e pela descoberta
de corante artificial correspondente. Foram 375 anos de
exploração, e por muito tempo extraiu-se a
"brasileína" que dava cor às roupas da nobreza
e utilizada como tinta de escrever, e além do corante, a
madeira do pau-brasil era utilizado nas indústrias civil e
naval.
O
ciclo econômico do pau-brasil, se concentrou exclusivamente
na Floresta Atlântica, sua área original. De sua
atividade restou uma floresta devastada, até a quase
extinção da espécie com capoeiras de
florestas secundárias e terras que passaram a ser
utilizadas na plantação da
cana-de-açúcar. Desde o início de sua
exploração, restou após 500 anos da chegada
dos portugueses, menos de 3% de Floresta Atlântica.
Assim, os colonizadores criaram um modelo de
devastação, que se fixou profundamente nos sistemas
sócio-econômicos seguintes.
Foi
necessário a sua quase extinção para que o
pau-brasil fosse reconhecido oficialmente na história
brasileira. Em 1961, o presidente Jânio Quadros aprovou um
projeto declarando o pau-brasil como árvore símbolo
nacional e o ipê como flor símbolo.
É
realizado um substituto do projeto n.º 1006, de 1972, por meio
da lei n.º 6507 de 07/12/1978,
declarando o pau-brasil a Árvore Nacional, e
instituindo o dia 03 de maio como o dia do pau-brasil.
O
pau-brasil possui a casca pardo-acinzentada, ou pardo-rosada nas
partes destacadas, e cerne (miolo) vermelho, cor de brasa. Atinge
até 30 m de altura (dados da literatura indicam que podem
chegar até 40 metros) e 1,5 m de circunferência.
Raramente
é encontrada em formações secundárias
e atualmente, através de levantamentos científicos,
poucos exemplares de pau-brasil nascidos em natureza,
ocorrem nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo,
Bahia, Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
O
pau-brasil era considerado extinto, quando em 1928 o estudante de
agronomia João Vasconcelos Sobrinho e o professor de
botânica Bento Pickel, verificaram a presença
de uma árvore de pau-brasil, num local chamado Engenho
São Bento, hoje sede da Estação
Ecológica da Tapacurá da Universidade Federal
Rural de Pernambuco (UFRP).
Atualmente,
a espécie está tão ameaçada quanto outras
de ocorrência na Floresta Atlântica, que mesmo sendo um
dos ecossistemas de maior diversidade é um dos mais
ameaçados do planeta. Devido ao esforço de
pessoas como o Prof. Roldão Siqueira Fontes e
apoiados pela direção da UFRPE (sede da
Estação Ecológica do Tapacurá),
lançaram em 1972 uma Campanha Nacional em defesa do
pau-brasil, recuperando a memória histórica e
desencadeando a produção de mudas em todo o
país. No dia 03 de maio é comemorado o Dia
do Pau-Brasil.
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