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Cavernas
no Brasil
Origem
e Formação das Cavernas
Espeleologia é a
ciência que tem por
princípio a procura, exploração,
observação e interpretação das cavernas com
o objetivo de definir critérios para sua
preservação. Pode oferecer ajuda a Paleontologia e
à Arqueologia, na compreensão da existência de
tipos
de vidas animais e humanas primitivas. As grutas e
abrigos-sob-rocha constituem um patrimônio de valor
científico e cultural, sendo que algumas grutas já
possuem importância nacional e integram o acervo da
humanidade.
A origem das cavernas
ainda é uma questão
controvertida. É provável que numerosas
cavernas tenham sido originadas pela
dissolução e abrasão causada pelos movimentos
das águas subterrâneas, enquanto outras surgiram por
causa dos desmoronamentos de partes do teto ou pelo abatimento de
assoalhos que recobriram galerias inferiores. Outra possibilidade
é o surgimento que ocorre ao nível do lençol
freático ou abaixo dele.
A água penetra no
calcário através das
fraturas e depressões e, se ainda contém
dióxido de carbono em quantidades suficientes, vai dissolvendo a
rocha em sua percolação. O movimento da água
nos calcários é controlado pelas variações
litológicas e pelas linhas de falha e de fratura. A respeito da
circulação da água subterrânea, pode-se
distinguir duas zonas: na zona superior, ou zona vadosa, a
água circula livremente e de modo rápido, e, na inferior,
ou zona freática, a água circula sob
pressão hidrostática e todas as fissuras e juntas
estão preenchidas. Em ambas as zonas, a água tende a
coletar-se em canais bem definidos e a movimentar-se como
um sistema subterrâneo. A solução e a
abrasão são os processos básicos na
formação de cavernas.
Conceitos
Carste - tipo de
paisagem criada pela água
quando a chuva ou os rios recebem substâncias químicas
presentes no ar ou em solos cobertos por vegetação
abundante. Estas águas então adquirem a capacidade de
dissolver lentamente determinados tipos de rochas, como o
calcário, formando cavernas, rios subterrâneos.
Cavernas - uma
caverna pode ser definida como um
leito natural subterrâneo e vazio, podendo se estender
vertical ou horizontalmente e apresentar um ou mais níveis.
São formadas quando os rios subterrâneos começam a
dissolver e escavar a rocha. Com o passar do tempo, as
cavernas vão se alargando, chegando a formar salões
altos. Os rios subterrâneos são de grande
importância no transporte de alimentos para os seres vivos
que ali habitam, mas os rios também transportam sedimentos
como areia e argila que formam o solo das cavernas. Existem
dentro das cavernas um entremeado de câmaras e
passagens estreitas. Todas as formas de acumulação
encontradas nas cavernas recebem o nome genérico de travertino.
Espeleotemas - são
formações
minerais que ocorrem em cavernas, a exemplo das estalactites,
estalagmites, colunas, cortinas, entre outras. Apresentam cores,
formas e dimensões que dependem da morfologia de cada gruta,
do tipo de mineral depositado e do mecanismo de
deposição.
Estalactites e
estalagmites - são dois tipos
de espeleotemas. O principal mineral formador desses e de outros
espeleotemas é a calcita. As estalactites e
estalagmites formam-se pelo gotejamento de água saturada em
calcita, ao longo de sua infiltração em rochas
calcárias. A estalactite forma-se do teto para baixo, pela
superposição de anéis de calcita. E a estalagmite
"cresce" do piso da caverna para cima, bem embaixo da
estalactite, a partir do gotejamento de água saturada
em calcita que se precipita da estalactite. Quando a estalactite se
junta com a estalagmite, forma-se um outro espeleotema chamado
coluna. A velocidade de crescimento das estalactites varia entre
0,01mm a 3mm por ano.
Cascatas - a
água ao escorrer pela parede
rochosa da gruta, vai depositando calcita durante seu percurso
descendente. Tais depósitos são denominados
cascatas,
devido a sua forma e cor, geralmente alvíssima. Essas
superfícies normalmente são lisas. Constituem um
depósito uniforme da parede até o chão
da gruta; porém, em alguns casos, pode terminar por
estalactites formadas a partir das bordas, dando um aspecto semelhante
ao de um órgão.
Vida nas Cavernas

Apresentando mais de 600
espécies já
classificadas, a fauna cavernícola do Brasil é a mais
rica
da América do Sul.
As cavernas têm
ambientes muito diferenciados dos do
meio externo, caracterizados pela ausência de luz e
de vegetação superior, pela pequena
variação de umidade e temperatura e pela
composição química do ar e da água. Cada
caverna pode apresentar diferentes hábitats como lagos e
rios, bancos de argila, depósitos de guano de
morcego, e diferentes zonas ecológicas em
função da maior ou menor distância de entrada.
No ambiente
cavernícola, encontra-se uma fauna
muito característica, adaptada a essas
condições ambientais. Alguns animais utilizam o abrigo
das
cavernas para sua reprodução ou para seu esconderijo
e outros animais são habitantes das cavernas. Esses
animais podem ser classificados em três grupos principais:
Troglóbios: animais
exclusivos das cavernas,
que geralmente apresentam adaptações
fisiológicas, comportamentais e morfológicas
(despigmentação, atrofia dos olhos, etc.). Peixes,
crustáceos e insetos, por exemplo, são comuns entre
as espécies já identificadas.
Troglófilos:
espécies adaptadas
ecologicamente às cavernas, mas que não apresentam
especializações que impeçam seu desenvolvimento
também no ambiente externo. Crustáceos,
aranhas, opiliões e insetos são comuns entre os
troglófilos brasileiros.
Trogloxenos: animais
de superfície que
utilizam as cavernas como abrigo, refúgio, local de
alimentação ou reprodução. Dentre os
trogloxenos, destacam-se os morcegos, que saem diariamente da caverna
para se alimentarem.
Cuidados
em Cavernas

Para sua segurança e para a preservação das
cavernas, são necessários alguns cuidados
fundamentais durante a visitação.
Fique atento
para não pisar em espeleotemas, quebrá-los ou
esfumaçá-los com o capacete.
Não
retire ou quebre nada nas cavernas, tomando cuidado especial com as
formações.
Não use
bebida alcoólica no interior da caverna.
Não
fume no interior da caverna, pois a fumaça é
prejudicial a este delicado ambiente.
Respeite a
fauna cavernícola, apenas observando-a.
Nunca entre em
cavernas desacompanhado, procure sempre a ajuda de um guia ou pessoa
experiente.
Mantenha a
caverna limpa. Traga de volta todo o seu lixo (orgânico ou
inorgânico), apanhe também o lixo que encontrar pelo
caminho e deposite-o nos latões no exterior das cavernas.
Conheça
as técnicas básicas de navegação,
primeiros socorros e alpinismo. As cavernas apresentam
obstáculos naturais. Não se arrisque, assim como
não exponha pessoas inexperientes e sem preparo
físico a situações de risco.
Caso
você se perca, não entre em pânico. Fique parado e
aguarde auxílio. O resgate só será possível
se você tiver informado seu roteiro ao guia de
plantão, nos postos dos guias (quiosques e casas de
guias) através da Ficha de Visitação. No
caso de cavernas fora dos centros de visitação avise
sempre alguém do local sobre seu destino.
Informe-se
sobre os regulamentos do local a ser visitado.
Planeje sempre
o roteiro que pretende fazer com detalhes.
Se nunca
visitou o local procure saber detalhes com pessoas experientes
antes de iniciar o percurso.
Calcule o
tempo que pretende ficar no interior da caverna.
Selecione e prepare com
antecedência
todo equipamento que pretende levar.
Conservação das
Cavernas
Conservar uma caverna é manter suas características
próprias inalteradas, de modo a modificar o menos
possível o ambiente.
Uma caverna não é um simples túnel escavado entre
rochas, vazio e escuro. Seu ambiente, assim como suas formas de vida e
a própria formação dos espeleotemas estão
intimamente ligados ao meio externo que a circunda. Por isso, qualquer
alteração na superfície reflete diretamente no
mundo subterrâneo.
A poluição das águas, por exemplo, nociva em
qualquer circunstância, tem efeitos muito danosos quando elas
percorrem o interior de uma caverna. Um rio poluído pode
comprometer toda a manifestação biológica.
Não é admissível que dejetos industriais, minerais
ou domésticos, sejam lançados em cursos de água
que venham se tornar subterrâneos.
O desmatamento, além de descaracterizar o contorno regional,
poderá também influir de maneira direta sobre a caverna,
pois a destruição do revestimento vegetal poderá
dar início a desmoronamentos e deslizamentos de terra, que
irão de uma forma ou de outra interceptar ou desviar o leito
original do rio na caverna.
Da mesma maneira, as atividades ligadas à
utilização direta do espaço interior podem, se
feitas de forma inadequada, descaracterizar o meio cavernícola e
prejudicar o seu frágil equilíbrio ecológico.
A visitação ocasional, feita por turistas e religiosos,
é uma atividade que tem despertado um interesse cada vez maior.
Na verdade, as cavernas sempre tiveram lugar de destaque na
imaginação e crendice popular. Talvez isso possa ser
atribuído aos aspectos bizarros e misteriosos das
ornamentações e a ausência total de luz nos
salões e galerias.
No Brasil inteiro são ouvidas estórias de desaparecimento
de pessoas e de manifestações sobrenaturais e divinas no
interior de cavernas. Os próprios nomes dados a grande
número de cavernas demonstram esses fatos: Caverna das Fadas,
Caverna do Diabo, Buraco do Inferno, Gruta Sinistra, Lapa do Bom Jesus
etc.
Existem cavernas institucionalizadas pelo uso como verdadeiros templos,
locais de peregrinação e romaria. Na Europa, as grutas de
Lourdes e de Fátima são talvez os melhores exemplos do
caso. No Brasil, a Lapa do Bom Jesus, a Gruta dos Brejões (BA) e
a Terra-Ronca (GO) são polarizadoras de festas religiosas,
trazendo toda uma população regional que monta ali suas
barracas de sapé, celebra missas, realiza casamentos, batizados
e faz promessas, deixando no local grande quantidade de devotos.
Técnicas
e Equipamentos Espeleológicos
Exploração
Desvendar a cada passo salões e galerias onde jamais outro homem
penetrou, descobrir fantásticas formações minerais
e estranhas formas de vida é sem dúvida uma das mais
excitantes aventuras que a natureza ainda nos reserva.
Explorar uma caverna
é isto; buscar entendê-la enquanto
manifestação de inúmeras forças naturais, o
que exige acurada observação, tecnologia adequada e senso
de equipe.
No caminho da
exploração, inúmeros perigos e obstáculos
físicos se opõem ao avanço do explorador. O
ambiente pode lhe ser hostil pela ausência de luz, pelo frio e
pela umidade e o caminhamento dificultado por grandes distâncias
e
desníveis, por pisos irregulares e escorregadios, por
estreitamento e "tetos baixos". Da mesma forma, rios lagos e cachoeiras
ou ainda trechos desmoronados, sifonados e inundações
podem não apenas dificultar a penetração mas
até torná-la imposível.
Equipamentos
A roupa pode ser composta por um macacão que deve ser
resistente, leve, ignífugo (não propagar fogo) e de
material que não retenha água; meias compridas
impermeabilizadas, que envolve a barra do macacão protegendo as
pernas do frio e de eventuais pancadas; e um calçado leve (pode
ser uma bota ou tênis) com sola de borracha antiderrapante e bico
rígido (para facilitar as escaladas). Botas de borracha, muito
usadas em países onde a temperatura da água é mais
baixa, perdem muito de suas funções em cavernas tropicais
como as do Brasil, tornado-se incômodas e inadequadas.
Luvas que não
retirem a sensibilidade dos dedos, podem ser de grande utilidade nas
escaladas em locais estreitos e nas paredes ásperas ou
angulosas,
servindo também para manter as mãos limpas para quando se
manusear equipamentos fotográficos e filmagem.
É igualmente
recomendável levar um agasalho leve para lugares onde há
a
incidência de água fria ou em explorações
onde se despenda muita energia pelos esforços exigidos. O
descuido com a perda de calor pode levar o explorador a um estado de
hipotermia que chega ocasionar problemas de extrema gravidade ou mesmo
a
morte em alguns casos.
Completando, aparecem
o cinturão de segurança ou a "cadeirinha" e o capacete
(metálico, plástico, ou fibra), que, além de
proteger a cabeça contra eventuais batidas ou quedas,
também serve como suporte para o bico de luz (carbureteira ou
lanterna).
A ausência de
luz é o principal problema a ser enfrentado no ambiente
cavernícola, requerendo, portanto, sistemas de
iluminação adequados e fontes de luz complementares.
Cavernas do Brasil
O turismo vem descobrindo
a beleza e a aventura proporcionada pelas cavernas brasileiras. Grandes
entradas e salões internos, lagos e cachoeiras
subterrâneas, e a extraordinária beleza dos espeleotemas
podem ser observados no Brasil.
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Cavernas
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Localização
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| Gruta Refúgio do
Maroaga |
Presidente Figueiredo/AM
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| Gruta de Ubajara |
Ubajara/CE
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| Gruta dos Martins |
Apodi/RN
|
| Gruta do Convento (ou
Salitre) |
Campo Formoso/BA
|
| Gruta dos Brejões
|
Irecê/Morro do
Chapéu/BA
|
| Gruta do Lapão
|
Lençóis/BA
|
| Lapa Doce I |
Iraquara/BA
|
| Gruta da Pratinha |
Iraquara/BA
|
| Gruta Azul |
Iraquara/BA
|
| Buraco do Cão
|
Seabra/BA
|
| Poço Encantado
|
Itaetê/BA
|
| Poço Azul |
Andaraí/BA
|
| Gruta do Padre |
Santana/BA
|
| Gruta da Mangabeira
|
Ituaçu/BA
|
| Lapa do Bom Jesus |
Bom Jesus da Lapa/BA
|
| Lapa da Angélica
|
São Domingos/GO
|
| Lapa da Terra Ronca
|
São Domingos/GO
|
| Gruta dos Ecos |
Corumbá de
Goiás/GO
|
| Buraco das Araras |
Formosa/GO
|
| Buraco do Inferno |
Padre Bernardo/GO
|
| Gruta do Maquiné
|
Cordisburgo/MG
|
| Gruta Rei do Mato |
Sete Lagoas/MG
|
| Gruta da Lapinha |
Lagoa Santa/MG
|
| Gruta dos Palhares
|
Sacramento/MG
|
| Gruta do Tamboril |
Unai/MG
|
| Gruta Casa de Pedra
|
São João
Del Rei/MG
|
| Gruta do Limoeiro |
Castelo/ES
|
| Gruta do Lago Azul
|
Bonito/MS
|
| Gruta N.S.Aparecida
|
Bonito/MS
|
| Gruta do Mimoso |
Bonito/MS
|
| Buraco das Araras |
Jardim/MS
|
| Gruta Itambé
|
Altinópolis/SP
|
| Caverna do Diabo |
Eldorado/SP
|
| Caverna Santana |
Iporanga/SP
|
| Caverna Morro Preto
|
Iporanga/SP
|
| Gruta do Couto |
Iporanga/SP
|
| Caverna Água Suja
|
Iporanga/SP
|
| Caverna Laje Branca
|
Iporanga/SP
|
| Caverna Alambari de Baixo
|
Iporanga/SP
|
| Caverna Casa de Pedra
|
Iporanga/SP
|
| Gruta do Chapéu
|
Iporanga/SP
|
| Gruta Chapéu Mirim
I e II |
Iporanga/SP
|
| Gruta das Aranhas |
Iporanga/SP
|
| Gruta Laboratório
(Águas Quentes) |
Iporanga/SP
|
| Gruta Betari |
Iporanga/SP
|
| Gruta da Lancinha |
Rio Branco do Sul/PR
|
| Conjunto
Jesuítas/Fadas |
Cerro Azul/PR
|
| Gruta Bacaetava |
Colombo/PR
|
| Furnas de Vila Velha I e
II |
Ponta Grossa/PR
|
| Furna Buraco do Padre
|
Ponta Grossa/PR
|
| Gruta de Botuverá
|
Botuverá/SC
|
| Gruta da Barreira |
Itararé/SP
|
|
Além das cavernas
citadas acima, existe uma classificação, por assim dizer,
das maiores cavernas do Brasil:
1. Toca da Boa Vista (Campo Formoso, BA) -
92.100m (19º do mundo)
2. Toca da Barriguda
(Campo Formoso, BA) - 23.700m
3. Gruta do Padre
(Santana/Santa Maria Vitória, BA) - 16.400m
4. Lapa da Angélica
(São Domingos, GO) - 14.100m
5. Gruta da Água
Clara (Cariranha, BA) - 13.880m
6. Boqueirão
(Cariranha, BA) - 13.550m
7. Lapa do São
Mateus III (São Domingos, GO) - 19.828m
8. Lapa de São
Vicente I (São Domingos, GO) 10.130m
9. Lapa Doce II (Iraquara,
BA) - 9.700m
10. Lapa Convento (Campo
Formoso, BA) - 9.200m
No território
brasileiro, encontram-se inúmeras grutas
calcárias, principalmente na bacia do Rio das Velhas (MG) e na
do
Rio Ribeira (SP). Os dados ainda são escassos quanto
a um levantamento completo das grutas descobertas, e nem se sabe
quantas
cavernas existem nas várias áreas calcárias. Na
primeira existem quase duas centenas, sendo que a mais conhecida pela
beleza é a Maquiné, localizada no
município de Cordisburgo - mede 440 metros em linha reta. Famosa
também é a de Lagoa Santa, que mede 550 metros de
comprimento.
Na
bacia do Ribeira, na região de Iporanga, já
foram descobertas 87 cavernas, dentre as quais
se destacam a Gruta de Santana, com 4.500 metros, as Areias
(5.600 metros) e a Caverna do Diabo, em Eldorado Paulista, com 4.500
metros. Essa última é mais famosa da região, sendo
intensamente explorada pelo turismo. Mas a de Santana a supera em
beleza pela variedade de estalactites e estalagmites. Entretanto, a
maior caverna brasileira é a de Brejões, na Bahia, com
7.750 metros. Essa
extensão é modesta se comparada à de Holloch
(Suíça), a maior do mundo, com 74 km, ou de
Carlsbad (EUA), com 53 km. A mais profunda é a
Gouffre Grotte Berger, próxima de Grenoble
(França), com mais de 1.000 metros de profundidade.
Centro Nacional de Estudo,
Proteção e Manejo de Cavernas - CECAV
|
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Portaria de
Criação Nº 57, de 05.06.97
Regimento Interno
CAPÍTULO I
DISPOSIÇÕES
PRELIMINARES
Art. 1º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV, funcionará subordinado técnica e
administrativamente à Diretoria de Ecossistemas - DIREC.
Parágrafo
Único - Sempre que as atividades do Centro demandem
ações de competência de outras unidades
administrativas do IBAMA, estas serão ouvidas.
Art. 2º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV, com sede em Brasília/DF, terá
atuação em todo o território nacional.
CAPÍTULO II
FINALIDADE E
COMPETÊNCIA
Art. 3º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV tem por finalidade propor, normatizar, fiscalizar e controlar o
uso do patrimônio espeleológico brasileiro, bem como
fomentar levantamentos, estudos e pesquisas que possibilitem ampliar o
conhecimento sobre as cavidades naturais subterrâneas existentes
no território nacional, fornecendo subsídios, inclusive,
para estimular a criação de Unidades de
Conservação em ambientes cársticos.
Art. 4º - Ao
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV compete:
I - executar o Programa
Nacional de Proteção ao Patrimônio
Espeleológico instituído pela Resolução
CONAMA 005/87 e suas eventuais atualizações;
II - tomar
decisões a respeito das questões relacionadas à
espeleologia e ao patrimônio espeleológico nacional;
III - recomendar modelos
de manejo, bem como os instrumentos legais e técnicos de
proteção às cavidades naturais subterrâneas;
IV - buscar
cooperação e formas mútuas de
atuação com Estados e Municípios em prol da
conservação, através do estudo e
valorização do patrimônio espeleológico;
V - promover e
implementar treinamento especializado em espeleologia, notadamente aos
técnicos do IBAMA, e, quando possível, a técnicos
de outras instituições relacionadas com essa atividade;
VI - incentivar estudos
científicos que promovam a ampliação do
conhecimento sobre o patrimônio espeleológico e auxiliem
na sua conservação e uso adequado;
VII - criar e manter
permanentemente atualizado um centro de documentação
especializado em espeleologia, interligado ao SINIMA;
VIII - promover campanhas
de sensibilização e conscientização
pública sobre a importância das cavernas e do valioso
patrimônio espeleológico nacional;
§ Único -
para o cumprimento do disposto neste artigo, o CECAV pode efetivar, na
forma da lei, parcerias, acordos, convênios, termos de
cooperação técnica, ajustes e contratos com
entidades públicas e privadas, nacionais, internacionais ou
estrangeiras.
Art. 5º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV terá competência para emitir licenças para
projetos de pesquisa e demais solicitações de uso do
patrimônio espeleológico nacional, observando a
legislação específica.
Art. 6º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV, visando o cumprimento dos art. 4º e 5º criará
um banco de assessoria técnica científica, composto de
técnicos e/ou pesquisadores das áreas afins
(geoespeleologia, bioespeleologia, paleontologia, arqueologia, manejo
de cavernas, etc), para consulta, quando necessário,
através de parecer ad hoc.
Art. 7º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV estabelecerá termo de cooperação
técnica com a Sociedade Brasileira de Espeleologia - SBE e/ou
instituiçães afins, visando a implantação
do Cadastro Nacional de Cavidades Naturais Subterrâneas.
CAPÍTULO III
ORGANIZAÇÃO
Art. 6º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV funcionará com uma Sede Administrativa localizada na
cidade de Brasília/DF. O Centro poderá ter bases
regionais nas áreas com maior demanda espeleológica,
contando, para isso, com o apoio das Superintendências e
Escritórios Regionais do IBAMA nos Estados.
Art. 7º - O
Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
- CECAV será dirigido por um chefe, nomeado pelo Presidente do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA, por indicação do Diretor da
Diretoria de Ecossistemas.
Art. 8º - O
Chefe do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de
Cavernas - CECAV será substituádo em suas faltas e
impedimentos eventuais por um servidor por ele indicado.
CAPÍTULO IV
ATRIBUIÇÃO
Art. 9º - Ao
Chefe do Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de
Cavernas - CECAV incumbe:
I - orientar e coordenar
as atividades do Centro;
II - definir a estrutura
funcional interna do Centro;
III - propor, ao superior
imediato, as programações de trabalho anual e plurianual
da respectiva unidade;
III - responsabilizar-se
e responder pela execução dos trabalhos de sua
área;
IV - definir, distribuir,
acompanhar e avaliar as atividades dos servidores que lhe são
subordinados;
V - exercer todos os atos
de administração necessários à
implementação das atividades do Centro, observada a
legislação vigente.
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES
FINAIS
Art. 10º - Os
recursos financeiros do Centro Nacional de Estudo,
Proteção e Manejo de Cavernas - CECAV serão
provenientes das seguintes fontes:
a) recursos
orçamentários consignados no orçamento do IBAMA e
repassados através da DIREC e de outras Diretorias;
b) transferência de
outros órgãos federais, estaduais, municipais ou
particulares interessados no manejo e conservação de
cavernas;
c) doações
recebidas em caráter específico, de
instituições nacionais (públicas ou privadas) ou
internacionais.
Art. 11º - As
dúvidas e os casos omissos surgidas na aplicação
do disposto neste Regimento serão resolvidos pela Diretoria de
Ecossistemas do IBAMA, ouvido o Centro Nacional de Estudo,
Proteção e Manejo de Cavernas - CECAV.
Informações
1.
OBJETIVOS DO CECAV
• Implementar os
princípios de conservação das cavernas brasileiras
e incentivar a sua valorização pela sociedade.
• Promover a
proteção dos sítios espeleológicos e das
áreas críticas, assim como estudos e pesquisas com vistas
à ampliação do conhecimento espeleológico.
• Implantar um Sistema
Nacional de Informações Espeleológicas, visando
reunir e sistematizar as informações existentes e as que
venham a ser produzidas.
• Incentivar a
proteção das cavernas através do turismo
planejado, fornecendo apoio técnico para a
implementação de projetos e planos de manejo
compatíveis com estes ambientes.
• Promover programas de
sensibilização ambiental para a valorização
e o adequado uso sócio-econômico e ambiental das cavernas.
• Capacitar recursos
humanos para atividades de administração, estudos e
pesquisas em sítios espeleológicos.
• Divulgar a
importância científica, histórica, cultural,
econômica e social das cavernas, como estímulo a que toda
a sociedade participe de sua conservação.
2. DESENVOLVENDO PARCERIAS
A proteção
do valioso e frágil ambiente das cavernas depende da
conjugação de esforços de toda a sociedade
brasileira e também dos grupos e instituições
espeleológicas em todo o mundo. O estabelecimento de parcerias
possibilita potencializar recursos, unificando esforços de
conservação.
Por isso, o CECAV possui
competência legal para efetivar acordos, parcerias,
convênios, termos de cooperação técnica,
ajustes e contratos com entidades públicas e privadas, nacionais
e internacionais visando a proteção, a
conservação e a valorização do
patrimônio espeleológico brasileiro.
Atualmente, estão
em pleno andamento uma série de Termos de
Cooperação Técnica com organizações
governamentais, não-governamentais, além de institutos de
pesquisa do País.
O CECAV tem grande
interesse em desenvolver atividades de pesquisa com
instituições estrangeiras, assim como de contar com o
apoio da cooperação internacional no sentido de fomentar
novos conhecimentos sobre os ecossistemas cavernícolas e seu
manejo.
O Brasil possui um grande
potencial espeleológico, ainda pouco conhecido e divulgado.
Sabe-se da existência de cavernas em quase todos os Estados
brasileiros, apresentando uma grande diversidade de litologias.
Além das típicas rochas carboníferas, entre as
2.700 cavernas cadastradas atualmente, há grande
ocorrência em granito, gnaisse, xisto e arenito.
Estes ambientes
fascinantes eventualmente são alvos de atividades
econômicas não sustentáveis e de
ações degradadoras geradas pelo desconhecimento quase
geral sobre a riqueza e a importância desses ecossistemas.
O cenário tem
mudado nos últimos 10 anos, em função da
atuação do poder público diante de uma arrojada
legislação que visa a proteção do
patrimônio espeleológico brasileiro. Com a sólida
regulamentação hoje existente, conhecê-las e
conservá -las constitui-se num desafio a ser enfrentado.
3. UM CENTRO DE REFERÊNCIA PARA AS CAVERNAS
Instituído durante
as comemorações da Semana do Meio Ambiente de 1997, o
CECAV - Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de
Cavernas, vem atender ao anseio e a expectativa de toda a comunidade
espeleológica brasileira.
Atuando em todo o
território nacional, este Centro é uma unidade
administrativa do IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis, subordinada à Diretoria de
Ecossistemas - DIREC. Tem como finalidade propor, normatizar,
fiscalizar e controlar o uso do patrimônio espeleológico,
bem como fomentar levantamentos, estudos e pesquisas que ampliem o
conhecimento sobre as cavernas brasileiras.
4. ESTRATÉGIAS DE MONITORAMENTO
Como órgão
regulador das atividades em cavernas, o CECAV responsabiliza-se
diretamente pela emissão de licenças para atividades de
pesquisa, expedições científicas ou
empreendimentos voltados à adaptação das cavernas
para fins turísticos.
Quanto aos pesquisadores
estrangeiros, há procedimentos rigorosos para formalizar sua
autorização, que devem ser obtidos junto ao CNPq -
Conselho Nacional de Pesquisas, ao IPHAN - Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (no caso
dos arqueólogos) e DNPM (para paleontólogos).
Autorizações para expedições
científicas em cavernas são concedidas pelo CECAV
mediante um projeto que explique o contexto da pesquisa, justificativa,
objetivos gerais e específicos, resultados esperados,
período da expedição e pessoal envolvido. A
legislação estabelece um prazo de 90 dias para
emissão do parecer.
Mais informações sobre este processo, assim como sobre as
atividades desenvolvidas pelo Centro, podem ser obtidas no:
CECAV - Centro
Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas
Instituto Brasileiro de
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
Diretoria de Ecossistemas
Edifício Sede do
IBAMA
SAIN L4 Norte - Lote 8 -
Bloco A - sala 38
CEP 70.800-200 -
Brasília - DF - Brasil
Telefax: (55)(061)
316.1175 • Fax: (55)(061) 226.6371
Brasil - País das Cavernas
Pela importância
cultural e beleza do patrimônio espeleológico do Brasil,
Brasília sediou em julho do ano 2000 o maior evento mundial de
cavernas, cujo tema central foi "Espeleologia no 3º Milênio
– Contribuindo para o Desenvolvimento Sustentável". Foram
realizados três congressos simultâneos de espeleologia:
13º Internacional, 4º da América Latina e Caribe, e o
ESPELEO BRASIL 2001.
Embora sendo o
quarto maior país em quantidade, qualidade e extensão de
cavernas, reconhece-se que só 10% dos parques brasileiros foram
explorados por falta de recursos financeiros e técnicos. Apenas
para manutenção das cavernas cadastradas, o CECAV –
(Centro de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas),
precisaria de R$ 700 mil e só conta com R$ 100 mil, quantia que
corresponde a R$ 2 mil por estado. Sua maior preocupação
é com a preservação ambiental e
arqueológica das cavernas, pois esse é um dos grandes
vilões do turismo jovem do próximo milênio. Para
ele, o turismo ecológico, se conduzido de forma adequada e
criteriosa, apresenta-se como uma das atividades econômicas mais
promissoras para os estados da Bahia, Minas Gerais, São Paulo e
outros que concentram as 2.700 cavernas cadastradas na SBE -
Sociedade Brasileira de Espeleologia, das quais 82% estão no
banco de dados do IBAMA.
Apenas Estados Unidos,
França e Alemanha concentram mais cavernas que o Brasil.
A maior caverna
brasileira é a Toca da Boa Vista (BA), com 71 Km de
extensão, e a de maior importância arqueológica
é a do Parque Peruaçu (MG). Mas a região
centro-oeste também tem suas riquezas. O patrimônio
espeleológico do DF é bastante diversificado, merecendo
atenção especial as cavernas do Parque Estadual de Terra
Ronca, em São Domingos (GO), a Gruta dos Ecos, nas proximidades
de Brasília, a maior do país em mecaxisto, o Buraco das
Araras, e o Buraco do Inferno, com um profundo lago cristalino.
Cavernas Brasileiras Protegidas pelo
Cecav
No Brasil, 82% das quase
três mil cavernas conhecidas e cadastradas no Centro de Estudo,
Proteção e Manejo de Cavernas - Cecav estão
localizadas em rochas calcárias. O CECAV, criado pela Portaria
nº 057 do IBAMA de 5 de julho de 1997, é o
órgão incumbido de encaminhar as questões
relacionadas a proteção e manejo de cavernas no Brasil.
O CECAV analisa,
licencia, propõe e orienta diversas formas de pesquisas, usos e
manejos no patrimônio espeológico brasileiro. Sua
criação teve o apoio da Sociedade Brasileira de
Espeleologia - SBE.
O CECAV controla o
turismo regular a cavernas, que, embora sem infra-estrutura adequada,
é uma maneira de se divulgar a Espeleologia e de se garantir a
preservação do patrimônio espeleológico
conduzido de forma adequada e criteriosa, apresenta-se como uma das
atividades econômicas mais promissoras para as regiões em
que se inserem, gerando aumento na oferta de trabalho e vitalizando as
economias locais e regionais, além de auxiliar no
desenvolvimento da indústria nacional.
Programas de Gestão Ambiental
Desenvolvimento do Programa de Gestão Ambiental Participativa na
Gruta de Ecos, Cocalzinho/GO, que envolve o CECAV (Sede e Base/GO) em
conjunto com a Prefeitura Municipal, e os grupos espeleológicos
GREGEO, EGB e GREGO, para elaboração de plano de manejo.
Desenvolvimento do
Programa de Gestão Ambiental Participativa na Gruta de
Botuverá/SC, que envolve o CECAV (Sede) em conjunto com a
Prefeitura Municipal de Botuverá e os Grupos de Estudos
Espeleológicos do Paraná – GEEP - Açungui, para
elaboração de plano de manejo, o qual vem sendo
financiado pelo FNMA no valor de R$ 200.000,00.
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